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Saturday, July 27, 2013

ENTRE A ÁFRICA E O BRASIL (última parte)

Chegamos a Kimberley às 21 horas e paramos em um hotel também muito bonito com uma boa área verde e um cassino com bar e restaurante. Tomamos banho, colocamos uma roupa bonita e fomos ao restaurante do cassino. Primeiro, ficamos no bar tomando um aperitivo e esperando desocupar uma mesa para nós no restaurante. Lá, degustamos, com um bom vinho tinto, um dos melhores filés mignons que já havia experimentado até então. Vale também lembrar que a África do Sul foi o lugar onde comi a melhor carne e os melhores frutos do mar, dentre esses lagosta, camarão e polvo. Além da ótima qualidade desses produtos, eram sempre muito bem preparados. Depois de algum tempo jogando e perdendo dinheiro no cassino, fomos dormir. Admito que estava, além de cansada da viagem, um pouco estressada só de pensar que o time do Brasil poderia repetir a mesma situação triste da última Copa do Mundo quando perdeu o jogo da final para a França. Por outro lado, algo me dizia que, dessa vez, talvez pudéssemos ter uma grande alegria com a Seleção. 

Kimberley é a capital da província de Northern Cape da África do Sul. A cidade tem grande importância histórica devido ao seu passado de mineração de diamantes e o cerco durante a Segunda Guerra Boer

Museu Mina de Diamante "The Big Hole" (Foto by Garry Bembridge via flickr)

Área interna (Foto by Gary Bembridge via flickr)
O Big Hole, Open Mine ou Kimberley Mine (In Afrikaans: Groot Gat) é uma mina a céu aberto e subterrânea em Kimberley, África do Sul, e afirma-se ser o maior buraco escavado à mão. Mais informações podem ser encontradas acessando a wikipedia. (Foto via skyscrapercity)

Acordamos bem cedo e fomos para o restaurante tomar nosso café da manhã. Olhei para fora e percebi que havia uma camada de gelo nos carros e no chão. A temperatura estava beirando 0ºC, o que me fez duvidar em que lugar do planeta nós nos encontrávamos. Era mesmo na África? Quando chegamos ao estacionamento e vimos que nosso carro tinha uma camada de gelo, não pudemos conter a surpresa, pois, mesmo sendo inverno, era inacreditável ver gelo já que, para nós, que morávamos na Finlândia e já tínhamos nos hospedado em outros países do norte da Europa, ver essa paisagem muito familiar, na África, um continente dos trópicos, era realmente surpreendente. É admirável esse caminhar pelo mundo, conhecer diferentes países, com diferentes culturas, geografia e clima singulares.

Olhamos o mapa e procuramos uma cidade maior onde pudéssemos assistir ao jogo do Brasil contra a Alemanha na final da Copa do Mundo. Vimos que passaríamos por várias cidadezinhas, e que a cidade aparentemente grande mais próxima estava situada a seiscentos quilômetros de distância. Chamava-se Beaufort West. Eram 7 horas, e o jogo começaria às 13h, portanto tínhamos seis horas pela frente. Escutando um CD da banda Chiclete com Banana no carro, olhava para meu marido dirigindo e sentia firmeza naquela promessa que havia me feito de que chegaríamos a tempo de assistir ao jogo. Aquela sua determinação e serenidade chegavam a me emocionar.

Algumas horas depois, chegamos a uma cidade chamada Vitória West para abastecer. Teríamos ainda um pouco mais do que duzentos quilômetros pela frente, e já passava das 11h. Era inacreditável a conservação e a beleza dessa estrada com muitas retas. Às vezes, tinha a impressão de que a estrada não tinha fim. Parecia demais com as do Arizona nos Estados Unidos. Outro fator que me deixava segura quanto à nossa chegada à cidade no tempo previsto era que estávamos em um excelente carro da Chrysler, tinindo de novo, com um motor 2.4, o que possibilitava andarmos a cento e quarenta ou cento e sessenta quilômetros por hora. Faltando dez minutos para as 13h, entramos com muita alegria em Beaufort West. Havíamos conseguido chegar no tempo previsto.

Beaufort West, South Africa

Beaufort West

Já dentro da cidade, comecei a ficar desesperada porque era quase uma hora e não encontrávamos nenhum bar ou restaurante que tivesse televisão. Enquanto Jouko dirigia, eu procurava, ansiosa, por um lugar em que pudéssemos parar. Olhei para o relógio e vi que já era pouco mais de uma hora.

De repente, como um milagre, vi um restaurante aberto, completamente lotado, com várias televisões ligadas. O jogo havia começado fazia mais de dez minutos. Entramos e encontramos uma mesa vazia para que pudéssemos nos acomodar, e as pessoas olharam para nós por estarmos vestidos com a camisa do Brasil. Todos que lá estavam eram brancos, o que me deixou apreensiva, pois, nessa área, as pessoas eram afrikaans e provavelmente estavam torcendo pela Alemanha. O garçom trouxe cerveja e o cardápio para pedirmos algo para comer. Meu coração batia forte, e meu marido pedia-me, a todo tempo, que eu me acalmasse, mas não conseguia principalmente porque estava naquela situação em um lugar estranho. Para minha felicidade, quando Rivaldo tentou fazer um gol, as pessoas no restaurante ficaram eufóricas. Vi que todos, afrikaans ou não, estavam torcendo pelo Brasil. Nessa hora, também começou minha euforia. Sem hesitar, abri a bandeira brasileira que até então estava escondida e enroladinha em minha mão. A euforia dessas pessoas aumentou ainda mais quando souberam que, além de ser brasileira, eu era prima distante do craque Ronaldo. Meu coração não parava de bater forte, e as lágrimas teimavam em derramar em meu rosto quando o Brasil começou a ganhar. Jouko também estava visivelmente emocionado, e vi suas lágrimas e a emoção estampada em seu rosto. Eu tentava imaginar, naquela hora em que a Seleção Brasileira conquistou o pentacampeonato do mundo, a emoção de milhões de brasileiros. Foi muito bom ver Cafu levantar a Taça e todos os jogadores ficarem de joelhos, em círculo, no meio do campo. 

No final do jogo, muitas pessoas vieram nos cumprimentar. Alguns também nos ofereceram drinques e até trocamos endereços. nao sei de onde apareceu, mas a tv local veio fazer uma entrevista comigo, penso que foi pelo fato de ser a única brasileira, ali naquele lugar tão distante. Cheguei a oferecer a uma das senhoras lá presentes, um colar de bijuterias que eu usava desenhado com a bandeira do Brasil. Em seguida, colocamos a bandeira brasileira estendida na parte traseira do carro e pegamos a estrada novamente, dessa vez, para a Cidade do Cabo.

A estrada continuava uma beleza, parecia que ficava cada vez melhor. A vegetação que surgia era diferente da que havíamos visto antes na região de cerrado. Nessa parte da estrada, o verde era mais intenso, as árvores maiores, e a impressão que se tinha era de que nos aproximávamos cada vez mais das montanhas. O sol começava a baixar, e isso dava um tom amarelado à paisagem. Por nenhum momento ouvi meu marido reclamar de cansaço. Pelo contrário, juntos, curtíamos aquele pôr do sol, um dos mais bonitos que havíamos visto até então. Tínhamos ainda mais de quatrocentos quilômetros para chegar à Cidade do Cabo, e nossa intenção era a de ficarmos lá até às 21 horas. Paramos em uma cidade chamada Worcester para tomar café e comer alguma coisa. Quando seguimos viagem, o sol já se escondia, mas seus raios iluminavam as montanhas que se descortinavam à nossa frente. Com essa paisagem de tirar o fôlego de qualquer mortal, começamos a descida para o nível do mar. Era uma cena belíssima e indescritível, com o céu beijando as montanhas iluminadas pelos raios solares. Aquela paisagem era um prato cheio para poetas e pintores. Mas confesso que fiquei com um pouco de medo, mesmo com a estrada conservadíssima e muito bem sinalizada, pois as curvas eram muito fechadas, e as descidas, muito radicais. As montanhas eram tão altas que eu, de dentro do carro, não conseguia visualizar o topo delas. Era uma estrada com pedágios e um túnel de mais de dez quilômetros. Durante o dia, devia ser bem mais bonita, e sentimos por termos a conhecido quando já estava escurecendo.

Na chegada à Cidade do Cabo, mais emoções. Quando começamos a visualizar as luzes da cidade, na entrada, pudemos perceber logo sua organização. Não tivemos nenhuma dificuldade em encontrar nosso caminho para a orla marítima, Mouille Point, onde se encontrava o Protea President, um hotel cinco estrelas onde ficaríamos hospedados.

Antes de irmos para o hotel, paramos em um shopping center, na orla marítima onde havia vários restaurantes de frutos do mar. Ainda vestidos com a camisa da Seleção Brasileira, entramos em um desses restaurantes para jantar. O garçom, que era de Angola, veio atender-nos muito eufórico com a vitória do Brasil. Se tivéssemos estado nesse restaurante na hora do jogo, teríamos encontrado, segundo ele, mais de cinquenta brasileiros também emocionados como eu. Dentre as muitas opções de frutos do mar, decidimos pedir um prato sortido de mariscos. Quando o garçom o trouxe, tomei um susto porque não esperava que fosse tão grande e sortido. Na verdade, não era um prato, era uma travessa, forma típica de servir na África do Sul, não importando se é peixe, carne ou frango. Às vezes, a porção é tão grande que não se consegue comer tudo. Na África do Sul, come-se muito bem e bebem-se vinhos deliciosos com preços bem mais baixos que no Brasil. Nessa travessa havia camarões pistola, lagosta, lula, peixe e outros tipos de marisco, além de arroz, batata cozida, purê de abóbora e salada.

Finalmente, chegamos a um hotel muito bonito, Protea President, onde fomos recebidos com uma cesta de frutas no quarto, um cartão de boas-vindas e os parabéns pela vitória do Brasil já que sabiam que eu era brasileira por causa de nossa ficha de reserva. Protea é o nome de uma bromélia de tamanho avantajado, nas cores rosa e lilás, e é o símbolo desse país. É deslumbrante.
Protea Hotel President, Cidade do Cabo - África do Sul (Foto by Frequent - Traveller via flickr)

Área da piscina...(Foto by Safari Partners via flickr)

Chegada no Hotel, no dia em que o Brasil foi Penta - Cidade do Cabo, África do Sul (2002)

Protea Hotel President

Protea Hotel President (Foto by Safari Partners via flickr)

Durante nossa viagem até a Cidade do Cabo, havíamos percorrido em torno de mil quilômetros desde a cidade de Kimberley, de onde saímos às 7 horas. Tirando as duas horas em que paramos para ver o jogo, os vinte minutos para abastecer e tomar café e uma hora do jantar, chegamos à conclusão de que fizemos esse percurso em aproximadamente dez horas.

No dia seguinte, depois de um excelente café da manhã com uma vista maravilhosa para o mar, fomos conhecer a cidade. Ficamos impressionados com a beleza da Cidade do Cabo. Não é à toa que foi eleita a segunda cidade mais bonita do mundo. Sua paisagem era lindíssima com a mistura de montanhas ao fundo, os arranha-céus e o mar. Ficamos também encantados com sua limpeza e a organização do tráfego. Podiam-se ver muitos viadutos, ruas largas e arborizadas, muitos parques e jardins.

FOTOS DA CIDADE DO CABO - ÁFRICA DO SUL






Praça de alimentação de um shopping da cidade

Região portuária
Estádio ao fundo...

Waterfront, onde tem muitas lojas de griffes famosas

No dia seguinte, pela manhã, nosso destino era o Cabo da Boa Esperança. Na ida, pegamos uma estrada litorânea na qual víamos o Oceano Índico, límpido e bem azul. A certa altura, começamos a subir novamente as montanhas, dessa vez, com muito verde ao nosso redor e o azul do mar embaixo. Paramos para almoçar, ainda na subida, em um restaurante de frutos do mar em que havia um aquário do qual nós escolhíamos o que iríamos comer. Depois do almoço, seguimos viagem. Continuamos a curtir a beleza daquelas montanhas à beira-mar.

Na chegada ao Cabo da Boa Esperança, as emoções superaram nossas expectativas. Subimos de bondinho elétrico até o topo de uma montanha, podendo, assim, apreciar a vista mais linda que já havíamos visto até então. Parecia um cartão postal. Dispensamos o bondinho na descida para que pudéssemos ir caminhando e desfrutando melhor aquela linda paisagem, tirando algumas fotos e curtindo também a vista do encontro dos dois oceanos, o Índico e o Atlântico. Já embaixo, tiramos fotos com os babuínos, já domesticados de tanto conviverem com os turistas. Fomos avisados de que podíamos tirar fotos deles, mas não alimentá-los. Compramos alguns suvenires em uma loja e fomos para um restaurante tomar um café com uma torta bem gostosa.

FOTOS DO CABO DA BOA ESPERANÇA - ÁFRICA DO SUL

O Cabo da Boa Esperança, muito famoso e importante na época das grandes navegações, é o ponto mais ao sudoeste da África (e não o mais ao sul, que é Cape Agulhas, segundo  Google), onde se encontram os Oceanos Índico e Atlântico. Fica ao sul da Cidade do Cabo, na península do Cabo, e faz parte do Table Mountain National Park. Um lugar lindoooo, com uma vista maravilhosa!! (Foto by Revista Viver via flickr)

Mirante a 2,500 metrs acima do nivel do mar

Farol (Foto by Camila Gomes Lopes via flickr)

Foto by Rafael Simões via flickr



Encontro dos dois oceanos: Atlântico e Índico. Cabo da Boa Esperança

Subida para o Mirante, para ver o encontro dos dois oceano: Atlântico e Índico. Cabo da Boa Esperança


Foto by Levi Guimarães via flickr

Bondinho elétrico no Table Mountain

Placa alertando sobre os babuínos

Babuínos (Foto by Levi Guimarães via flickr)
Eu e Jouko na subida...


Cape Point (Foto Gui Leite via flickr)

Ainda emocionados com aquela vista maravilhosa, começamos nossa viagem de volta para a cidade, dessa vez, por outra estrada que beirava o Oceano Atlântico. Quisera muito ter ido visitar as praias dos pinguins, mas estava muito frio, e eu preferi ir ao shopping fazer compras de coisas típicas da África.

Depois de mais um dia de passeio, visitar o centro da cidade, ir ao shopping center e ao restaurante, devolvemos o carro para a Locadora Avis e tomamos nosso voo de volta para Johannesburg e, de lá, para Frankfurt e Helsinki.

Nosso voo para Frankfurt só não foi totalmente tranquilo porque tivemos uma forte turbulência quando atravessamos o Deserto do Saara na África do Norte. Como sempre, no avião, meu marido dormiu que nem um bebê, e eu fiquei acordada assistindo aos filmes e papeando com as comissárias de bordo.

Em Helsinki, matamos as saudades de Adriana e Jusef e seguimos para nossa casa em Saarijärvi.

No terceiro dia após nossa chegada, tínhamos planos de ir à outra cidade a mais de duzentos quilômetros para a festa de formatura de Tiina, sobrinha de Jouko, que se formara em psicologia. Antes de irmos dormir, Jouko queixou-se de dor no olho esquerdo, dor de cabeça e febre alta. No dia seguinte bem cedo, não suportando mais tanta dor, dirigiu-se ao hospital mais próximo e, de lá, foi transferido para outro, em outra cidade. O glaucoma, antigo problema de meu marido, havia voltado, e ele necessitou ficar uma semana internado e submeter-se a duas cirurgias. A Finlândia está entre os melhores países do mundo em tratamento de olhos, com tecnologia de ponta, e, com isso, Jouko pôde se recuperar rapidamente, graças a Deus.

Eu me encontrava na Finlândia, curtindo o lindo e breve verão. Adriana estava comigo, de férias, mas Yusef estava em Helsinki com o pai. Falávamos com ele várias vezes por dia pelo telefone. Eu sentia muita saudade de meu neto. Assim como não consigo descrever com palavras a beleza dos muitos lugares que visitei nesse mundo afora, não consigo expressar a emoção de ser avó de um menino tão especial, saudável, forte, extremamente sensível e inteligente. Acho que o fato de ouvir diariamente quatro línguas dava-lhe mais energia para, a cada dia, aprender mais. Que Deus o abençoe! Igualmente difícil é expressar em palavras o que sinto quando me encontro rodeada de pessoas que amo e que sei que também me amam.

No mês de setembro do mesmo ano, meu marido viajou a Manila, nas Filipinas, para um novo projeto. Decidi que, em vez de acompanhá-lo, viajaria para o Brasil. Adriana tirou férias de três semanas e resolveu ir comigo.

Confesso que, em minha chegada ao Brasil, depois de tantas alegrias por rever novamente minha família e meus amigos, não pude esconder a decepção que tive quando vi a reforma que havia sido feita em minha casa, no Sítio do Conde, que eu havia comprado na última vez em que tinha estado no Brasil. Durante todo o tempo em que estive na África do Sul, mandei dinheiro para minha irmã fazer a reforma dessa casa. Fiquei irritada porque paguei o preço por um serviço de primeira qualidade, e o resultado era de quinta categoria. As paredes foram pintadas sem massa corrida e sem lixar, as janelas e portas, pintadas também sem lixar. Não pensei duas vezes quando resolvi fazer tudo novamente contratando, aconselhada por uma prima minha, dois pedreiros de Aracajú. Só teve um pequeno detalhe que minha prima esqueceu-se de me avisar. Era que esses pedreiros, além de mal-educados, eram alcoólatras. Foram sete semanas de muito estresse porque, de vez em quando, resolviam aprontar com bebedeiras. Além de cobrarem caro pelo serviço, tive inúmeros aborrecimentos com eles. Ainda faltava pouco para terminar o serviço, mas não aguentei, paguei o restante do dinheiro a eles e pedi que fossem embora.

Diante dessa situação, não pude deixar de comparar as pessoas e o ambiente em que vivia no outro lado do mundo com o que acontecia no Brasil. Quando a gente se acostuma a conviver com pessoas honestas, com competência e qualificação profissional, que executam bem seu trabalho, é muito difícil relacionar-se com pessoas sem escrúpulos e sem responsabilidade. Talvez, com uma melhor distribuição de renda e melhor acesso à educação, o povo brasileiro consiga ser mais educado no sentido mais completo da palavra. Sentia uma tristeza imensa por tudo isso.

Friday, July 26, 2013

ENTRE A ÁFRICA E O BRASIL (parte 3)

Duas semanas depois, peguei um voo para São Paulo e, de lá, embarquei do aeroporto de Guarulhos com destino a Londres. Mais uma vez, acomodei-me em uma poltrona confortável da classe executiva do Boeing 777 da Varig. Depois dos drinques e do jantar que essa classe oferecia, reclinei minha poltrona e dormi confortavelmente até meu destino.

Passei três dias maravilhosos em Londres, curtindo tudo de belo da cidade, e ainda fui ao teatro assistir à peça Miss Saignon. Adorei!

Foto by Mr H to you via flickr)

Em Helsinki, matei as saudades de Adriana e de meu neto durante três dias. No quarto dia, decolei para Frankfurt seguindo para Johannesburg, na África do Sul, para encontrar-me com Jouko. Meu voo de Frankfurt até Johannesburg teve a duração de quase dez horas, e, quando o avião sobrevoava o Deserto de Kalahari, teve muita turbulência. Às 9 horas e 40 minutos, desembarquei, e Jouko estava à minha espera. O que deu um pouco de trabalho e cansaço foi encontrar o carro no estacionamento já que Jouko não se lembrava de onde o havia estacionado.

Fomos acomodados no mesmo hotel e também na mesma suíte em que nos hospedamos na nossa última viagem àquela cidade. As pessoas que lá trabalhavam vinham cumprimentar-me e demonstrar que estavam felizes ao me verem novamente.

O resort continuava lindo como antes com todo aquele verde e jardins repletos de flores, mas uma coisa havia mudado, a temperatura. Durante o dia, o céu continuava azul, com o sol brilhando e a temperatura variando entre 15ºC e 20ºC, mas, à noite, caía bruscamente até para 0ºC. Era mês de maio, e o inverno estava apenas começando.

Por causa da diabetes, passei a não tomar café da manhã no restaurante do hotel uma vez que era tentador, com muitos bolos, geleias, croissants e tantas outras coisas proibidas para mim. Era um verdadeiro escândalo! Assim, todas as manhãs, às 9 horas em ponto, um rapaz chegava a meu quarto com uma bandeja de café contendo torradas, queijo branco, iogurte natural, suco de fruta natural sem açúcar, ovos poché, presunto de peru e outra bandeja com uma variedade enorme de frutas. Não comia nem vinte por cento daquilo tudo.

Comecei a reparar que, todos os dias, quando a camareira vinha limpar o quarto, ao recolher a bandeja, separava as coisas que eu não tinha comido e colocava-as dentro de um saco plástico. Um dia, resolvi perguntar por que ela fazia aquilo. Disse-me que guardava a comida porque todo o salário dela e do marido era usado para pagar a prestação da casa que haviam comprado, portanto não sobrava dinheiro para comerem, ou seja, ela levava o que sobrava de meu café da manhã para eles se alimentarem.

Como pude constatar, aquele hotel não era diferente dos outros que eu conhecia, pois toda a comida que sobrava do café da manhã ia para o lixo, quando seria mais lógico ser dada às pessoas que lá trabalhavam. Na mesma noite, liguei para o restaurante e pedi que, a partir daquele dia, me fosse servido no café da manhã o dobro do que era servido antes, incluindo salsichas e bacon e bifes. Desta forma, poderia ajudar mais a camareira e com isso, aquele farto café da manhã, era sufuciente para alimentar mais duas pessoas. Descobri, também, que somente o valor de quatro diárias de nossa hospedagem era suficiente para pagar o salário mensal desta funcionária. O meu marido sempre achando que o gerente viria fazer reclamações. No entanto, nunca tive nenhuma preocupação com isso, sabia que ele não viria. Estava morando no hotel por muito tempo, Jouko e sua equipe.

Jouko chegou do trabalho na sexta-feira à noite, e fomos jantar em um restaurante austríaco perto de nosso hotel. Lá, ele me falou que teríamos que ir para Botswana, um país próximo, para que ele pudesse renovar seu visto, que havia expirado. No dia seguinte, pela manhã, seguimos viagem primeiro para Sun City porque teríamos que passar na Avis, uma locadora de carros, e pedir-lhes autorização para sair do País com o carro que lá havíamos alugado.

Viajávamos fazia mais de uma hora quando percebemos que estávamos em uma estrada de terra que mal tinha lugar para o carro passar. Teríamos que seguir em frente já que a gasolina não dava para voltar para Sun City. Infelizmente, Jouko tinha se esquecido de colocar combustível no carro, fato que me deixou surpresa porque não era este seu perfil, pelo contrário, meu marido sempre era muito experiente em viagens de carro e extremamente cuidadoso. Mas, naquele momento, diante das circunstâncias, o jeito era seguir em frente. Eu tinha um pouco de medo porque estávamos em uma área considerada perigosa pelo fato de haver sul-africanos que, revoltados com a situação do País, de vez em quando, matavam um fazendeiro branco. O pior foi que só nos lembramos deste pequeno detalhe quando olhamos melhor o mapa e vimos que havíamos tomado a estrada errada, melhor dizendo, a estrada velha. De vez em quando, eu olhava para o rosto de meu marido e, vendo sua expressão de serenidade, ficava mais calma. Em nenhum momento Jouko demonstrou para mim que também estava preocupado. Disso eu fiquei sabendo depois. Eu procurava curtir a beleza dos pássaros e das galinhas selvagens que atravessavam a estrada. Por duas vezes, vimos macacos de pelos cinza e olhos azuis, chamados de velvetes, além de javalis e impalas.

Percorremos essa estrada por quase duas horas. Finalmente, em nossa frente, como uma miragem, vimos um grande portão e uma casa onde havia dois policiais fortemente armados. Jouko parou o carro, e os policiais nos confirmaram que estávamos na fronteira e carimbaram nossos passaportes. A alguns metros havia outra casa, uma espécie de escritório. Era o lado da fronteira pertencente à Botswana. Nesse lado, os policiais já não eram tão amáveis como os sul-africanos. Eram mais sérios e estavam com mais armas. Fiquei com muito medo porque estávamos em um lugar perigoso, totalmente isolado, em um país totalmente desconhecido por nós e com pouca gasolina no carro. Isso nos deixou apreensivos. Perguntei para um deles se havia algum lugar para comprar água ou refrigerante e se também havia toalete. Eu estava realmente necessitando de um banheiro e não quis parar na estrada com medo dos animais. Para meu maior desespero, ouvi a resposta negativa de que não havia toalete e de que o posto de gasolina mais próximo estava a sessenta quilômetros dali. Olhei para o lado e percebi que havia uma televisão ligada transmitindo um jogo de futebol entre a Suécia e o Senegal. Perguntei-lhes, sorrindo, se gostavam de futebol e se tinham algum time predileto. Eu não consegui esconder a alegria e a surpresa quando disseram que gostavam muito da Seleção Brasileira e falaram, com muito entusiasmo, os nomes de todos os seus jogadores. Então, quando lhes disse que eu era brasileira e parente distante de Ronaldo, eles fizeram de tudo para nos agradar. Muito rapidamente apareceu água, coca-cola e até uma cadeira para eu me sentar. A alegria era visível em seus rostos. Aproveitei aquela euforia e dei para cada um deles um chaveiro com a bandeira do Brasil. Dessa maneira, em menos de dez minutos, estávamos com nossos passaportes nas mãos já carimbados e ouvindo votos de que tivéssemos uma boa viagem.

Quando finalmente chegamos a um posto de gasolina, o combustível de nosso carro estava no fim. Nossa sorte foi que o tanque de reserva desse carro, da Chrysler, era muito grande. Depois de abastecer, seguimos em frente e viajamos quase uma hora até a cidade de Gaborone, a capital de Botswana. Quando entramos na cidade, fiquei surpresa ao ver a arquitetura bem moderna, os prédios construídos com muito vidro e metal e uma quantidade muito grande de empresas estrangeiras, inclusive a finlandesa Nokia. As avenidas eram bem largas e arborizadas, as praças e jardins eram de fazer inveja às grandes cidades dos países desenvolvidos. Esse país era duas vezes mais caro que a África do Sul. A pula, moeda local, valia o dobro do rand, moeda da África do Sul. Fomos informados, ainda na África do Sul, de que, naquela época, considerada baixa temporada, não seria necessário fazer reserva de hotel.

Os jacarandás estão por toda a parte, na primavera...em Gaborone, Botswana (Foto by Tude e João via flickr)

Gaborene, parlamento (Foto by Leo Koolhoven via flickr)


Gaborene, Botswana (Foto by Makgobokgobo via flickr)

Para nossa alegria, bem a nossa frente, estava o hotel em que queríamos ficar por três dias, o hotel Gaborone Sun Internacional, um cinco estrelas com cassinos, três restaurantes, piscina e com uma belíssima decoração. Depois da aventura perigosa em nossa viagem, estávamos no paraíso. Três dias depois de nossa chegada a Gaborone, voltamos à África do Sul pela estrada certa, que era linda e estava em ótimo estado de conservação.

Gaborene Sun Hotel (Foto by Safari Partners via flickr)

Gaborene Sun hotel (Foto by Safari Partners via flickr)
Gaborene Sun Hotel (Foto by Safari Partners via flickr)

Estávamos vivendo novamente o clima da Copa do Mundo, e eu assistia aos jogos do Brasil em meu quarto. Admito que era muito ruim e sem graça ver a Seleção Brasileira jogar e, principalmente, ganhar sem poder dividir com alguém toda a alegria que sentia. Às vezes, quando era possível, Jouko assistia aos jogos comigo. Sempre, depois dos jogos, eu telefonava para o Brasil e para a Finlândia.

Os funcionários negros do hotel torciam pelo time do Brasil, os de descendência inglesa torciam pela Inglaterra, e os afrikaans, povos de mistura holandesa e alemã, torciam pela Alemanha.

O Hunters Rest Hotel pertencia a um judeu. Quando a empresa de Jouko havia feito nossa reserva, fomos informados de que, no mês de junho, por um final de semana, teríamos que ir para outro hotel, pois todo ano, no Hunters Rest, acontecia um encontro religioso de judeus, e o mesmo ficava exclusivo para eles por dois dias. 

Achamos uma pousada quatro estrelas, não muito longe dali, que pertencia a um casal de suíços e estava localizada na Reserva Natural de Rustenburg, precisamente ao pé de uma montanha. A decoração do quarto era belíssima, mas o que achamos mais charmoso foi que não havia televisão nem aquecimento elétrico no quarto. Havia, sim, uma lareira, e os cobertores e travesseiros eram de penas de ganso. O café da manhã era muito gostoso com geleias, pães, biscoitos e outras guloseimas caseiras. Esse foi um dos finais de semana mais românticos e diferentes pelo qual passamos.

Já de volta ao Hunters Rest Hotel, um dia, recebi um telefonema de Jouko:

– Ainda estou aqui no trabalho e vou me atrasar mais ou menos quarenta minutos. Você pode ir para o restaurante e, se quiser, jante antes de mim, pois estou em reunião.

Todos os dias, às 18 horas em ponto, Jouko chegava ao hotel, tomava seu banho e íamos jantar no restaurante do hotel ou, às vezes, íamos para algum local em uma cidade próxima. Depois do telefonema de meu marido, aprontei-me para jantar. Abri a grande porta de vidro de nossa suíte, que dava para o jardim, para atravessar toda aquela área verde belíssima, área de lazer, área da piscina e chegar ao restaurante. Fazia sempre esse caminho com ele, mas, nesse dia, iria sozinha. Não tinha medo porque a área era iluminada e havia muito movimento dos hóspedes e das pessoas que lá trabalhavam. Porém, quando abri a grande porta de vidro, o que vi deixou-me chocada. Em frente à suíte vizinha à minha, havia mais de vinte homens armados até os dentes. Eu só tentava pensar o que poderia estar acontecendo. Fechei a porta e corri para o telefone a fim de falar com a recepção e procurar saber o que significava aquilo:

– Não se preocupe, senhora Rutanen. Esses homens armados estão protegendo uma promotora. A senhora pode sair tranquila. – disse-me o funcionário da recepção.

Mesmo um pouco temerosa, segui meu caminho até o restaurante. No dia seguinte, na primeira página do jornal mais importante do País, estava estampada a foto desta promotora, uma linda mulher que colocara na cadeia um rico fazendeiro que havia assassinado sua esposa e um empregado negro. Todas as vezes que esse assassino ia ser julgado, mandava matar o promotor que o acusava. O que mais me surpreendeu foi, além da beleza dessa mulher, sua coragem e competência. Poucos dias depois, ela foi ao meu apartamento para desculpar-se pelo susto que tomei e acabou dizendo-me que havia sido Miss África do Sul no ano de 1994. Ela, o marido e o filho permaneceram ainda no resort pelo resto da semana. Ficamos amigas e tiramos uma foto juntas.

A promotora. E com sua visita a nossa suite fiquei sabendo que também foi Miss África do Sul 
A esposa do gerente geral do resort estava sempre me convidando para eventos, jantares e festas. Convidou-me, certa vez, para dar uma palestra em uma escola e falar de minhas experiências nos países em que havia morado até então. Fiquei surpresa por um adolescente da escola conhecer todos os nomes dos jogadores da Seleção Brasileira daquele ano e, mais surpresa ainda, quando falou o nome dos jogadores de nossa Seleção da Copa do Mundo de l958, na Suécia, quando foi conquistada nossa primeira estrela. 

Essa senhora, esposa do gerente, tinha dois filhos gêmeos idênticos que estudavam em um internato, como é tradição na África do Sul. Nesse tipo de escola, os alunos eram obrigados a vestir uniformes completos como os das escolas inglesas. Ela me convidou, como em quase todos os finais de semana, para irmos a Johannesburg, distante do resort duas horas e meia de carro, a fim de buscarmos seus filhos na escola para passarem os finais de semana com os pais. Ela dirigia que nem uma louca e fumava um cigarro atrás do outro. Eu já havia decidido que não iria mais com ela, aquela seria a última vez. Depois que pegamos seus filhos no colégio, disse-me que iria até o centro buscar a namoradinha de um deles. Ao nos aproximarmos do portão da casa da moça, fiquei fascinada com a beleza da mansão. Em seguida, o portão abriu-se e, diante de nós, descortinou-se um jardim belíssimo com uma enorme variedade de plantas frutíferas. De repente, vi algo que não entendia o que era. Quando olhei para o muro da mansão, vi que havia um homem negro pendurado. Perguntei a essa senhora o que aquele homem estava fazendo ali, e ela me respondeu, com a maior naturalidade, que ele estava morto porque havia pulado o muro, provavelmente para roubar frutas. Ele havia morrido eletrocutado. Sei que é crime invadir a propriedade alheia, mas aquele pobre homem estava desarmado e provavelmente com fome, por isso deve ter ido roubar uma fruta. Fiquei com raiva daquela senhora, que parecia não se importar com aquilo. Era como se a vida daquele homem, por ser negro, não tivesse nenhum valor. Depois desse episódio, procurei evitar a companhia dela.

Finalmente o projeto de Jouko havia chegado ao fim, e tínhamos a idéia de visitar a Cidade do Cabo que, segundo um programa na televisão chamado Travel Magazine, tinha sido eleita a segunda cidade mais bonita do mundo. No sábado, o hotel em que estávamos morando havia seis meses ofereceu-nos, de despedida, um churrasco à beira da piscina. Logo depois do almoço e da despedida dos amigos que lá fizemos, seguimos viagem para uma cidade chamada Kimberley, onde tínhamos a idéia de passar a noite. Teríamos pela frente quinhentos quilômetros de estrada. Estendemos a bandeira brasileira na parte traseira do carro. No dia seguinte, era nosso grande dia, pois a Seleção Brasileira estava caminhando para conquistar o penta.

Tuesday, July 23, 2013

UM PERÍODO ENTRE A ÁFRICA E O BRASIL (parte 1)

Assim, no dia trinta de novembro, decolamos de Helsinki para Frankfurt, de onde faríamos uma conexão e seguiríamos para Johannesburg, na África do Sul. Nosso voo foi excelente. Jouko, como sempre, dormiu bem durante o voo, e acredito também que, dessa vez, ele estava muito cansado com a maratona dos últimos dias. Eu nunca consigo dormir, então, assisti a três filmes que passaram durante a viagem. Na manhã seguinte, às 9 horas e 40minutos, horário local, descemos no aeroporto de Johannesburg. Ao ver a cidade de cima, ainda do avião, fiquei encantada com o verde e a beleza daquele lugar. Impressionou-me, também, a beleza do aeroporto e a precisão no controle de passaportes. Um finlandês que iria trabalhar com Jouko estava nos esperando no aeroporto, e, de lá, seguimos de carro para a cidade de Rustenburg, onde iríamos morar. Essa cidade fica a mais ou menos duas horas de carro de Johannesburg, a mil metros acima do nível do mar, tendo sido colonizada por alemães e holandeses.

Rustenburg

Tranquila Rustenburg (que significa "cidade de descanso), alguns 115 km de Joanesburgo, encontra-se no sopé ocidental das belas montanhas Magalies, da província de North West. Suas ruas são muitas vezes brilhante, com o lilás dos jacarandás e as flores multi-coloridas de hibiscos e buganvílias que prosperam nesse clima típico.

Quando saímos do aeroporto, passamos por fora de Johannesburg e entramos na cidade de Pretória, que possui imensos parques e jardins com muitos jacarandás floridos. Nessa cidade, existem em torno de 70 mil pés de jacarandá. Na primavera, formam-se, no chão, tapetes de cores rosa e lilás das flores que caem dessas árvores. Por isso, o chão fica escorregadio, o que requer cautela ao andar pelas ruas nessa época. Apenas para lembrar, no Brasil essa árvore infelizmente, está em extinção. As estradas, com muitas subidas, também nos surpreenderam com a conservação e com a quantidade de pinheiros e hortênsias, lembrando muito o sul do Brasil. Fiquei muito surpresa ao ver tanta beleza porque não era esse o visual que as televisões mostravam.


Jacarandás floridos...
Protea, flor tipo bromélia que é simbolo da África do Sul (A lenda grega diz-nos que Protea foi nomeada por causa de Proteus, filho de Poseidon. Um deus do mar que tinha o poder de saber todas as coisas do passado, presente e futuro, Proteus foi desafiador e preferiu tirar um cochilo na ilha de Pharos, em vez de profetizar. Para impedir aqueles que procuram seus insights, ele mudaria sua forma à vontade, e diz-se que a flor Protea foi nomeada após ele, pois, também, apresenta-se em uma espantosa variedade de formas, tamanhos, tonalidades e texturas para tornar-se mais do que 1.400 variedades..)
Em nossa chegada, mais surpresas. Fomos levados pelo finlandês para um resort com uma área de milhares de quilômetros quadrados de muito verde, jacarandás, muitas plantas ornamentais, flores e cento e doze espécies de pássaros coloridos. Na recepção, uma situação inusitada que deixou-me um pouco surpreendida, quando o gerente veio nos dar as boas vindas e de repente, vejo em minha frente, 10 mulheres devidamente uniformizadas, todas ostentando um dos sorrisos mais belos que tinha visto até aquele dia. 

Senhora, dizia o gerente. Dessas dez professionais, escolha qual será a vossa camareira. Sentindo-me imensamente constrangida em ter que escolher uma delas, comecei perguntando o nome de cada uma. Na terceira, disse me que se chamava Salomé. Eu, por minha vez, tentando naturalidade, disse-lhe: Salomé, daqui em diante, serás a minha companheira com muito prazer.


Com a camareira no meu quarto no Resort Hunters Rest
Camareira na área verde do Hunters Rest
Fotos do Hunters Rest Resort. É um pitoresco resort situado em área sub-tropical fora da zona urbana, situado entre as montanhas de Magalies apenas uma hora e meia de carro de Joanesburgo ou Pretória. Os quartos e suites do Hunters Rest são perfeitamente adequados para famílias e viajantes de negócios para o conforto e comodidade.

Montanhas Magalies ao fundo (Foto: Hunter Rest Hotel)
Restaurante (Foto: Hunter Rest Hotel)

Área da piscina (Foto: Hunter Rest Hotel)

Campo de golfe (Foto: Hunter Rest Hotel)
Acomodamo-nos em uma suíte em frente à piscina, também muito grande e bonita. O café da manhã tinha um bufê maravilhoso que não combinava nada com minha dieta, e eu continuava a brigar com a balança. Resolvi, então, tomar meu café da manhã sem me preocupar com dietas e, em vez de almoçar, eu passava o dia comendo frutas e tomando sucos. À noite, jantava com meu marido. E continuava com as caminhadas. Para mim, era muito prazeroso andar todos os dias, em torno de duas horas, embalada pelo canto de centenas de pássaros, principalmente ao entardecer. Sempre via macacos de cor cinza e olhos azuis, esquilos, pavões e outras espécies de aves.


Nosso chalé no Hunters Rest Resort
Em um final de semana, fizemos um safári em um parque nacional onde a variedade de animais era muito grande. Nós fomos em um carro apropriado, com o motorista portando uma arma de fogo para o caso de uma emergência, pois, segundo ele, os animais selvagens eram muito destemidos. Conseguimos ver chacais, elefantes, impalas, babuínos, cudus, crocodilos, hipopótamos, zebras, girafas, avestruzes, antílopes e muitas outras espécies.

Safári, no parque nacional

Nessa região, o que mais me impressionou, além da quantidade de área verde com muitas flores e plantas, foi um complexo turístico chamado Sun City, considerado um dos melhores do planeta e um dos que mais recebia turistas durante o ano todo, localizado quase na fronteira entre Zimbábue, Moçambique e Botswana e projetado com uma excelente área de lazer. Nas várias vezes em que lá estivemos, vimos turistas de todas as partes do mundo. Esse projeto arrojado ficou pronto em 1992 com um custo de duzentos e oitenta milhões de dólares. Foi construída uma praia artificial com equipamentos hidráulicos para gerar ondas de mais de dois metros, proporcionando alegria aos surfistas. A quantidade de palmeiras, plantas ornamentais, areias brancas e cabanas era de fazer inveja a qualquer praia natural, sem falar do brilho de sol o ano inteiro. Esse local oferecia três hotéis cinco estrelas e o Palace Hotel, com seis estrelas, sendo um dos grandes esplendores do mundo. Nesse hotel, os móveis, feitos de forma artesanal, os quadros, emoldurados em estilo barroco, os tapetes, os vitrais das janelas, os lustres e a decoração dos tetos com pinturas barrocas deixavam os turistas sem fôlego diante de tanta beleza. Seu campo de golfe era considerado um dos melhores, onde acontecia um famoso campeonato anual com um prêmio de um milhão de dólares. Havia, também, dois cassinos luxuosos, inúmeras máquinas de moedas e uma imensa quantidade de jogos eletrônicos para a criançada. Sem falar nos restaurantes, casas de café e chás, teatro – um dos mais belos que vi –, joalherias, lojas de marcas famosas e de suvenires. Os jardins que rodeavam essas áreas eram surpreendentes.

ALGUMAS FOTOS DE SUNCITY (Sun City - a Las Vegas da África, é a capital do jogo do país e tem toneladas de atrações e opções de entretenimento de jogos. O resort dispõe de dois campos de golfe de 18 buracos e muita diversão ao sol, visitando o Vale das Ondas na mágica Lost City - um dos parques aquáticos mais famosos do mundo!)


O labirinto da Lost City - entradas (cidade perdida). Foto by Jota_BRAZIL via flickr)
Suncity - The Lost City


 
Túnel do Tempo - Suncity (2002)
Tobogã. Foto by sureshroopa via flickr

Piscina de ondas em Suncity. Foto by Planet Janet 111 via flickr)

Piscina de ondas. Foto by sureshroopa via flickr

Suncity Arena (Foto by Steve Hung via flickr)

Praia artificial em Suncity. (Foto by H Sinica via flickr)

 FOTOS DO THE PALACE HOTEL

Piscina do The Palace

Entrada do The Palace Hotel

Na Entrada do The Palace

Na frente do The Palace


Outra coisa que me surpreendeu foi saber que na África do Sul eram faladas onze línguas além do inglês: o afrikaans (mistura do holandês com o alemão), zulu, xhosa, setswana, swabi, ndebele, sesotho, northern sotho, sepedi, yenda e shangani.

Os negros trabalhavam muito e ganhavam muito pouco, e os brancos, por outro lado, na maioria judeus, eram os donos absolutos de tudo, por isso era muito raro ver pessoas negras em hotéis, restaurantes, shopping centers e áreas de lazer sem que estivessem trabalhando. Morando lá, doía muito ver a discriminação que os homens sofriam simplesmente por causa da cor da pele.

Estaria retornando à Finlândia em duas semanas e, de lá, voaria para o Brasil. Mesmo com toda a beleza desse lugar em que eu estava, com toda a mordomia que tinha, com a felicidade que sentia por estar junto a meu marido, as saudades de meus entes queridos eram muitas. Pelo menos tinha a promessa de que meu marido iria tirar duas semanas de férias e passá-las comigo no Brasil.

Chegou o dia de nosso retorno à Finlândia. Pela manhã, tomamos o carro e seguimos viagem para o aeroporto de Johannesburg, passando por outra estrada também belíssima com muitas montanhas, pinheiros e flores silvestres. Paramos para almoçar e, várias vezes, para tirar fotos. Três horas depois de nossa saída, estávamos no aeroporto.